UFRJ concede diploma póstumo a Stuart Angel, estudante morto durante a Ditadura Militar
07/07/2026
(Foto: Reprodução) Da esquerda para a direita: Bruno Acherman, diretor do Centro Acadêmico Stuart Angel, da Faculdade de Economia, Hildegard Angel e Roberto Medronho
Pedro Costa
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou na tarde desta terça-feira (7) a cerimônia de diplomação póstuma de Stuart Edgard Angel Jones, estudante de Ciências Econômicas que teve a trajetória acadêmica interrompida durante a Ditadura Militar.
A solenidade aconteceu no Salão Dourado do Palácio Universitário, na Cidade Universitária, e reuniu familiares de Stuart Angel, como Hildegard Angel, irmã do estudante, integrantes da comunidade acadêmica, representantes de entidades estudantis e o reitor da UFRJ, Roberto Medronho.
Segundo a universidade, a concessão do Diploma de Bacharelado em Ciências Econômicas representa um ato de reparação histórica e de reconhecimento institucional ao estudante, cuja formação foi interrompida em decorrência da repressão do regime militar.
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Em nota, a UFRJ afirmou que a homenagem reafirma o compromisso da instituição com a preservação da memória, da verdade, da justiça e da defesa da democracia.
“Ele foi arrancado do seio de sua família e duramente torturado. Ofereceu o que tinha de mais belo: a sua juventude. Esperamos que o legado de Stuart Angel inspire todos os estudantes a atuarem em prol da democracia, para que esse terrível capítulo da história do Brasil não se repita”, disse Medronho.
Stuart Angel
Alessandro Costa / Agência O Dia / Estadão Conteúdo
Filho de Zuzu Angel
Zuzu Angel morreu quando seu carro caiu da Estrada da Gávea, na saída do Túnel Dois Irmãos, no RJ
TV Globo/Reprodução
Stuart Angel tinha 26 anos quando desapareceu. Ele era filho da estilista Zuzu Angel. Após o desaparecimento do filho, ela passou a denunciar o caso no Brasil e no exterior, tornando-se um dos principais símbolos da luta por memória e justiça durante o regime militar.
Zuzu morreu em 1976, em um acidente de carro no túnel que hoje leva seu nome e liga a Zona Sul do Rio a São Conrado.
Na época, a versão oficial apontou que a estilista teria adormecido ao volante. Antes da morte, porém, Zuzu Angel relatava receber ameaças por telefone e deixou um bilhete no qual responsabilizava militares caso morresse de forma repentina em um acidente.
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