Veja o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso da menina que morreu envenenada
06/04/2026
(Foto: Reprodução) Padrasto é preso por morte de menina envenenada em Alto Horizonte
Apesar da prisão preventiva do padrasto da menina de 9 anos que morreu envenenada em Alto Horizonte , no norte de Goiás, o caso ainda possui pontos não esclarecidos, sob investigação da Polícia Civil. A defesa do suspeito do crime, Ronaldo Alves de Oliveira, afirma que vai provar a sua inocência na morte de Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, e na tentativa de homicídio do irmão de 8 anos, que sobreviveu.
A criança morreu no dia 28 de março, no dia seguinte ao do jantar com a família no qual, segundo a polícia, ela foi envenenada. Weslenny chegou a ser levada para o hospital municipal da cidade, mas não resistiu. Logo depois, o irmão caçula também passou mal e foi internado com os mesmos sintomas, embora mais leves. Ele recebeu alta uma semana depois.
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Confira abaixo o que já se sabe sobre o caso e o que ainda falta ser esclarecido:
O que já se sabe
Refeição
Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, jantou com a mãe, Nábia Rosa Pimenta, o irmão e o padrasto naquela noite. À polícia, o casal afirmou que todos comeram a mesma refeição: arroz, feijão e carne moída. Os dois também disseram que Ronaldo foi responsável por fazer a janta, enquanto Nábia foi quem serviu às crianças e a si mesma. Já o companheiro fez o próprio prato.
Sintomas
Em entrevista à TV Anhanguera, a mãe afirmou que Weslenny começou a passar mal cerca de duas horas depois do jantar, depois de ter ido dormir, informação confirmada por Ronaldo. Nábia contou que a filha reclamava muito de dor na barriga. Ela percebeu também que Weslenny estava gelada. A dor era tanta que a menina pediu para ser levada para o hospital.
Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, morreu após passar mal horas depois de um jantar em família, em Alto Horizonte (GO)
Reprodução/TV Anhanguera
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Atendimento médico
De acordo com o secretário de Saúde de Alto Horizonte, Edimar Souza Fonseca, Weslenny chegou ao Hospital Municipal Darcy Pacheco às 22h30 daquela sexta-feira, 27 de março, acompanhada da mãe. A menina apresentava quadro de crises convulsivas. Ao g1, o secretário disse que Weslenny chegou a reagir às medicações que recebeu imediatamente da equipe, mas depois o seu quadro piorou, progredindo para uma parada cardiorrespiratória.
Logo depois da morte de Weslenny, o irmão deu entrada no hospital, com quadro semelhante, porém mais leve. Ele foi encaminhado imediatamente para a unidade de referência, o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN).
O veneno
A perícia da Polícia Científica de Goiás concluiu que a substância foi colocada no arroz e que se tratava de terbufós, princípio ativo do veneno popularmente conhecido como "chumbinho". Essa informação está em uma parte do inquérito da polícia à qual a TV Anhanguera teve acesso e também foi dada pelo delegado Domênico Rocha, responsável pelo caso.
Segundo o delegado, os laudos periciais também apontaram que essa mesma substância causou a morte de quatro gatos, cujos corpos foram encontrados no quintal. Esses animais seriam da vizinhança e tinham o costume de comer restos de comidas dos moradores.
O que falta ser esclarecido
Arroz na geladeira
De acordo com Domênico, os policiais civis descobriram a existência de uma panela com restos do arroz envenenado. Essa panela ficou dentro da geladeira da casa da família. "Nessa panela, foram identificados alguns grânulos negros, com aspectos bastante semelhantes ao veneno popularmente conhecido como chumbinho", afirmou o delegado.
Esse fato chama a atenção porque, em tese, a pessoa autora do envenenamento não manteria guardada a prova do crime. Além disso, em seu depoimento, Ronaldo afirmou que jogou o resto do arroz no lixo do lado de fora da casa, em uma sacolinha azul ou verde azulada. A única sobra que o padrasto afirmou ter deixado na panela foi a do feijão, no qual, segundo a perícia, não foi encontrado veneno.
Vômitos
Outro ponto a ser esclarecido é por que apenas Ronaldo e as crianças apresentaram sintomas e Nábia não, mesmo todos tendo ingerido a mesma comida. No documento obtido com exclusividade pela TV Anhanguera, Ronaldo diz que vomitou por diversas vezes depois que Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, já estava no hospital.
Segundo a defesa, representada pelos advogados Tiago Custódio dos Santos e Sara Marques, Ronaldo vomitou 10 vezes durante o trajeto entre Alto Horizonte e Uruaçu, quando estava a caminho do hospital em que o enteado estava internado e que foi submetido à atendimento médico na mesma noite.
Ao g1, o HCN confirmou que ele foi atendido, mas não deu detalhes dos sintomas que apresentou. O hospital disse que também prestou atendimento à mãe, Nábia. O delegado Domênico afirmou, porém, que a mãe não apresentou sintomas.
Relacionamento
Juntos há cinco anos, tanto Ronaldo quanto Nábia afirmaram que possuem um relacionamento aberto. À polícia, o padrasto disse que cada um mora na sua casa, mas passam os finais de semana juntos. Ronaldo definiu o relacionamento dele com a companheira e as crianças como "bem tranquilo".
A versão vai de encontro ao que o caçula contou à polícia depois que se recuperou. Segundo Domênico, o irmão de Weslenny disse que tanto ele quanto ela já sofreram agressões do padrasto, mas o delegado destacou que elas eram pontuais.
"E o pai biológico das crianças também afirmou em depoimento que já houve um ruído entre os dois por conta de uma agressão contra essa menina", explicou.
À TV Anhanguera, a mãe das crianças disse que vinha tentando terminar o relacionamento, devido às constantes tensões. "Ele teria motivos de sobra para me atacar, porque eu já vinha falando há muito tempo que não dava mais. E ele não aceitava o fim", afirmou.
O padrasto de Weslenny Rosa Lima, de 9 anos, está preso suspeito de envenená-la
Reprodução/TV Anhanguera
Vídeo com ameaças
Outro ponto que ainda precisa ser esclarecido é em relação a um vídeo gravado por Ronaldo, no qual ele aparece deitado, fazendo ameaças, mas sem citar nomes do alvo. Nas imagens, ele apareceu emocionado e falou sobre “dar um jeito na vida dos outros”.
Em nota, a defesa de Ronaldo disse, porém, que esse vídeo foi gravado há mais de três anos e que em momento algum foi relatado histórico de agressão por parte de Ronaldo contra as crianças.
Segundo apuração da TV Anhanguera, Nábia disse em depoimento à polícia que o vídeo foi enviado a ela em visualização única. Segundo ela, o vídeo poderia ser uma ameaça a ela e às crianças, já que o relacionamento era marcado por tensões.
“O meu medo é esse: para achar uma maneira de me atacar, ele ter atacado eles”, disse ela, em entrevista à TV Anhanguera.
No mesmo vídeo, no entanto, Ronaldo ameaçou também a própria vida, uma vez que ele afirmou: "Você pode ter toda a certeza que eu vou dar um jeito ou na minha vida ou na vida dos outros".
A Polícia Civil continua investigando esse caso e não descarta o envolvimento de terceiros. Ao g1, o delegado Domênico afirmou que a mãe das crianças ainda é considerada suspeita.
Leia a íntegra da nota da defesa de Ronaldo:
"A defesa recebeu a notícia da prisão com naturalidade e, por acreditar na inocência de Ronaldo, orientou que ele se apresentasse espontaneamente à autoridade policial, justamente para colaborar com os esclarecimentos e demonstrar sua inocência.
Informamos ainda que já foi solicitado acesso ao caderno investigativo, estando a defesa no aguardo da liberação do inquérito policial, a fim de que sejam adotadas todas as medidas legais cabíveis.
Acreditamos que, dentro em breve, aparecerão elementos que comprovarão a inocência de Ronaldo, sendo ele uma vítima do caso".
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