Veterinário diz que capivara pode ter ficado cega de um olho após agressões no RJ
23/03/2026
(Foto: Reprodução) Veterinário diz que capivara pode ter ficado cega de um olho após agressões no RJ
O veterinário responsável pelo tratamento da capivara espancada na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, afirmou que, apesar de o animal apresentar sinais de melhora, há suspeita de perda de visão em um dos olhos.
“O olho foi a única coisa que não evoluiu bem. Ela chegou com o sangue dentro do olho, com um edema muito grande no olho, então pode ser assim que ela já esteja cega. Talvez isso possa vir a ser reversível”, disse o veterinário e coordenador da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá, Jefferson Pires.
Segundo ele, nas últimas horas o animal conseguiu se alimentar e descansar, mas o estado de saúde ainda inspira cuidados. A capivara, um macho adulto de cerca de 64 quilos, chegou à unidade no sábado (21) com diversos ferimentos e quadro de edema cerebral.
Para ajudar na recuperação, o espaço onde o animal está internado foi adaptado com folhas, que ajudam a reduzir a luminosidade e a dar sensação de proteção.
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Capivara se recupera após ataque no Rio
Reprodução/TV Globo
Jefferson Pires, que coordena a clínica — a única no estado dedicada exclusivamente ao atendimento de animais silvestres — afirmou que nunca presenciou um caso de violência semelhante em mais de duas décadas de atuação.
“Nunca observei bem um quadro de tamanho atrocidade, brutalidade e agressividade”, declarou.
O ataque aconteceu a madrugada do sábado (21) na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, e foi flagrado por câmeras de segurança.
Grupo espanca capivara na Ilha do Governador, RJ
A unidade atende, em média, cerca de 6 mil animais por ano e tem capacidade para receber espécies de grande porte, como onças. Atualmente, cerca de 100 animais estão internados, entre eles uma preguiça com fratura, um gavião atingido por disparos de chumbinho e uma coruja ferida após colisão com vidro.
Além da capivara espancada, a clínica também abriga um filhote encontrado sozinho e outro animal adulto que está em processo de reabilitação para retorno à natureza.
Agressores correndo atrás da capivara
Divulgação
Suspeitos presos, menores, apreendidos
Segundo a polícia, 6 homens e 2 menores estão envolvidos na agressão da capivara
Divulgação
No sábado (21), a polícia localizou os suspeitos da agressão na Ilha do Governador. Dois menores foram apreendidos e seis homens presos: Wagner da Silva Bernardo, Isaías Melquiades Barros da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Pedro Eduardo Rodrigues, José Renato Beserra da Silva e Paulo Henrique Souza Santana.
Na delegacia, apenas Isaías Melquiades prestou depoimento. Segundo ele, o grupo estava em quatro motocicletas na região conhecida como Quebra Coco quando encontrou o animal e decidiu capturá-lo para consumo próprio, passando a agredi-lo com ripas e galhos de madeira.
Ele disse ainda que as agressões só pararam depois que um morador, ao ver a situação, começou a gritar.
Os seis presos após ataque a capivara
Reprodução/TV Globo
Um dos suspeitos foi reconhecido por outro ataque. Um morador procurou a delegacia para afirmar que viu Wagner participando de ataque a outra capivara na semana passada.
Nesta segunda (23), a Justiça manteve a prisão dos seis homens. Eles estão presos preventivamente. Na decisão, o juiz afirma que as imagens revelam a extrema crueldade das agressões.
Um dia antes, a Vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do RJ determinou a internação provisória dos dois adolescentes apreendidos por envolvimento no ataque.
De acordo com a Polícia Civil, os seis adultos vão responder por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Já os jovens devem responder por atos infracionais análogos aos mesmos crimes.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que cada um dos suspeitos será multado em R$ 20 mil.
Segundo o órgão, os valores seguem decreto do governo federal que aumentou as penalidades por maus-tratos contra animais, após o caso do cão Orelha, morto em Florianópolis.
O que dizem os citados
A defesa de Matheus, Isaías e Pedro Eduardo se manifestou através da seguinte nota, assinada por Mitsi Rocha Fidelis:
"A defesa técnica de Matheus Henrique Teodósio, Isaías Melquiades Barros da Silva e Pedro Eduardo Rodrigues, representada pela advogada Mitsi Rocha Fidelis, vem a público esclarecer que acompanha o caso com a máxima seriedade e responsabilidade.
Ressalta que o processo encontra-se em fase inicial, sendo imprescindível a observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, garantias constitucionais fundamentais.
A defesa destaca que não há, até o presente momento, prova técnica conclusiva nem individualização precisa das condutas atribuídas a cada um dos acusados, circunstâncias que serão devidamente esclarecidas ao longo da instrução criminal.
Informa ainda que os custodiados são primários, possuem residência fixa e exercem atividade lícita, não podendo ser previamente tratados como culpados antes da apuração completa dos fatos.
A defesa confia na atuação do Poder Judiciário e reitera que eventuais conclusões devem ser tomadas com base em provas concretas, e não em juízos precipitados ou pressões externas.
Por fim, em respeito ao andamento do processo, a defesa não irá se manifestar sobre detalhes específicos dos autos neste momento".
O RJ2 não teve retorno do advogado de José Renato Beserra e não conseguiu contato com as defesas de Wagner Bernardo e Paulo Henrique Souza.
Capivara espancada já consegue ficar de pé
Reprodução