VÍDEO: alunas de robótica de MT criam pincel inteligente para arqueólogos e garantem vaga em competição mundial
12/03/2026
(Foto: Reprodução) Alunas de robótica de Várzea Grande (MT) criaram pincel arqueológico inteligente
A equipe Young Inventors, formada por seis alunas do Serviço Social da Indústria (Sesi) em Várzea Grande, conquistou o segundo lugar no Champion's Award, competição nacional de robótica do 8º Festival SESI de Educação, na Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera. As estudantes desenvolveram um pincel inteligente para auxiliar arqueólogos na limpeza de artefatos históricos.
O resultado foi divulgado no Dia Internacional da Mulher e garantiu classificação para representar o Brasil na etapa mundial, que será realizada em Houston, nos Estados Unidos, dos dias 29 de abril a 2 de maio deste ano.
O evento é uma das maiores competições de robótica da América Latina, com a participação de mais de 2,3 mil estudantes.
📱 Baixe o app do g1 para ver notícias de MT em tempo real e de graça
Segundo uma das integrantes da equipe, Gisele Moraes Reis, de 14 anos, a conquista trouxe muita alegria e representa o resultado de meses de dedicação e da evolução constante do grupo. No ano passado, na primeira participação no torneio nacional, a equipe terminou apenas na 33ª posição.
“Foi uma sensação muito boa porque sabíamos do impacto que nosso projeto poderia gerar. Esse prêmio mostra o amor que temos pelo que fazemos e o resultado de tanto tempo de trabalho”, disse a aluna do 9º ano.
Projeto inovador: Archeobrush
As integrantes da equipe Young Inventors do Sesi em Várzea Grande (MT) e o pincel tecnológico inovador Archeobrush em cima da mesa
Reprodução/Arquivo Pessoal
O Archeobrush, desenvolvido pela equipe mato-grossense, controla a força aplicada durante o processo, evitando danos às peças históricas, segundo a Carolina de Freitas, de 15 anos, aluna do 1º ano do ensino médio e também integrante da equipe.
“Identificamos que o uso de pincéis comuns exigia força manual excessiva, o que podia comprometer os artefatos. Pensando nisso, criamos o Archeobrush, que emite alerta sonoro e luminoso quando a pressão aplicada ultrapassa o limite seguro”, explicou.
O projeto contou com acompanhamento de arqueólogos e colaboradores do Instituto Homem Brasileiro, além de ter passado por testes em campo e laboratórios de arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), (assista acima).
“Conseguimos ver o Archeobrush funcionando corretamente e preservando peças durante a visita aos laboratórios”, destacou Carolina.
Professor Robson Correa, técnico da equipe, e as integrantes durante o Champion's Award em São Paulo (SP)
Fernanda Nazário
A equipe contou com o acompanhamento do técnico e professor Robson Corrêa, da instituição, que esteve presente em todo o processo de preparação. Ele destacou que o resultado é histórico e mostra a força da participação feminina na robótica e que o Archeobrush é uma tecnologia inovadora e não existe nada parecido no mercado.
As alunas informaram que o pincel, produzido com termoplástico biodegradável e impresso em 3D, passou por cerca de 36 alterações em oito versões diferentes, até chegar à versão final.
“Foi um processo longo, de estudo, criatividade e testes. Mas sabíamos da importância do projeto e nunca duvidamos da capacidade da equipe”, disse Gisele.
Superação da equipe entre as etapas
As alunas durante a prova do desafio de mesa do Champion's Award em São Paulo (SP)
Fernanda Nazário
Além do projeto de inovação, a competição avaliou outras duas áreas: o design do robô, em que as alunas constroem um robô para realizar missões em tempo determinado, e os core values, que analisam trabalho em equipe, cooperação e inclusão.
Na etapa nacional, as alunas melhoraram o desempenho do robô e conquistaram 120 pontos a mais em relação à participação na fase regional, alcançando 520 dos 545 pontos possíveis. A soma das três áreas avaliadas na competição garantiu o segundo lugar para a equipe.
Preparativos para etapa mundial
Agora, as alunas se preparam para representar Mato Grosso e o Brasil na etapa mundial e destacaram que a relação interpessoal da equipe evoluiu muito ao longo do projeto. Segundo elas, hoje encaram as provas com mais calma e foco.
"A evolução da equipe de uma temporada para outra foi significativa. Vamos fazer as melhorias necessárias nas áreas avaliadas e pretendemos mostrar nosso trabalho com ainda mais força", pontuou a equipe.
A competição nacional de robótica avalia três áreas principais:
Projeto de Inovação: criação de uma solução tecnológica para um problema real. Foi nessa categoria que a equipe apresentou o Archeobrush.
Design do Robô: desenvolvimento de um robô capaz de realizar até 15 missões em uma mesa de desafios, dentro de 2 minutos e meio.
Core Values (Valores Fundamentais): avaliação da cooperação, inclusão, profissionalismo e da forma como os integrantes aplicam os valores da competição no dia a dia.