Vítima de feminicídio registrou 10 boletins de ocorrência e teve dois pedidos de medida protetiva negados antes de ser assassinada pelo ex

  • 26/02/2026
(Foto: Reprodução)
Corpo de mulher baleada pelo ex-companheiro é enterrado em Botucatu Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, morta após um ataque a tiros no último sábado (21), em Botucatu (SP), havia registrado 10 boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, Diego Sansalone, de 38 anos, suspeito do crime. Ela também pediu três medidas protetivas ao longo dos anos, mas apenas uma foi concedida pela Justiça. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp No dia do ataque, Júlia e o atual companheiro, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos, foram baleados dentro do carro em que estavam, na Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde. Os dois tinham filhos de outros relacionamentos; crianças estavam no carro no momento do ataque Arquivo Pessoal Diego Felipe morreu no local. Júlia foi socorrida em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (24). Os dois tinham filhos de outros relacionamentos. Júlia era mãe de um menino de 8 anos, filho do suspeito. Diego Felipe era pai de uma menina de 7 anos. As duas crianças estavam no veículo no momento dos disparos, mas não foram atingidas. Diego Sansalone foi preso no dia seguinte ao crime, após fugir, e confessou o assassinato. Diego Sansalone foi preso suspeito de matar ex e atual companheiro dela em Botucatu Polícia Civil/Divulgação Histórico de ocorrências Os primeiros registros datam de maio de 2021, quando Júlia formalizou boletim por ameaça e injúria contra o ex-companheiro. O caso acabou arquivado pela Justiça. Na sequência, outros 9 boletins foram registrados aos longo dos últimos cinco anos. Os casos envolvem crimes como ameaça, injúria, difamação, dano e descumprimento da guarda compartilhada do filho. Júlia Trovão foi morta a tiro pelo ex-companheiro em Botucatu (SP) Reprodução/Julia Trovão/Instagram Em outubro de 2022, Diego Sansalone chegou a ser preso por não pagamento de pensão alimentícia, sendo liberado após quitar o débito. Segundo apuração do g1, dois pedidos de medida protetiva feitos por Júlia foram negados pela Justiça, incluindo o mais recente, solicitado na sexta-feira (20), véspera do crime. O outro havia sido negado em outubro de 2025. Apenas um pedido, feito em abril de 2022, foi aceito e teve duração de 90 dias. Confira a cronologia: 25/05/2021 – Ameaça e injúria; 10/11/2021 – Ameaça; 08/04/2022 – Injúria e dano (segundo o registro, Diego teria danificado a maçaneta do carro de Júlia). Na ocasião, foi solicitada medida protetiva, concedida por 90 dias; 15/06/2022 – Ameaça; 20/11/2022 – Injúria e desobediência por descumprimento da guarda compartilhada; 10/2022 – Prisão de Diego por não pagamento de pensão alimentícia, após registro de boletim. Ele foi solto após quitar o débito; 24/07/2025 – Difamação e injúria; 13/10/2025 – Boletim não criminal por descumprimento da guarda compartilhada; 17/10/2025 – Registro não criminal por incidente de trânsito. Houve pedido de medida protetiva, negado pela Justiça; 19/02/2026 – Ameaça e vias de fato (empurrão), dois dias antes do crime. Novo pedido de medida protetiva foi negado na sexta-feira (20), véspera do ataque. O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para comentar a decisão que negou a medida protetiva, mas o órgão informou que casos do tipo tramitam sob segredo de Justiça. Júlia Gabriela Bravin Trovão morreu após ser baleada pelo ex-companheiro, Diego Sansalone Reprodução/Julia Gabriela Bravin Trovão/Instagram Além disso, três boletins de ocorrência envolveram o nome de Júlia como parte denunciada. Dois foram registrados por Diego Sansalone, em dezembro de 2022, sob alegação de que ela não utilizava cadeirinha para transportar o filho no carro. Em outubro de 2025, ele também registrou ocorrência por suposto descumprimento da guarda compartilhada. Suspeito de matar homem, balear a ex-companheira e fugir com filho de 8 anos em Botucatu foi preso Polícia Militar/Divulgação Júlia e o ex-marido Diego Sansalone terminaram em 2021, depois de quatro anos de relacionamento e um filho. Segundo amigos e parentes, ele não aceitava o fim da relação nem o novo relacionamento da ex-mulher. "Há diversos episódios que demonstram o histórico de comportamento agressivo. Em uma ocasião, ele atacou o carro dela e rasgou um adesivo que divulgava a empresa de seu então companheiro, em um evidente surto de ciúmes, além de tê-la agredido verbalmente", contou uma amiga de Júlia que não quis se identificar. Vítima de feminicídio relatou histórico de agressões de ex-companheiro Arquivo Pessoal Ataque a tiros O crime ocorreu na Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde, em Botucatu. Segundo a polícia, o suspeito atirou diversas vezes contra o carro onde estavam Júlia, o atual companheiro dela, Diego Felipe Corrêa da Silva, e as duas crianças. Após ser baleado, Diego Felipe perdeu o controle da direção e bateu contra um poste. Ele morreu no local. Júlia foi socorrida, mas morreu três dias depois no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). Depois dos disparos, o suspeito retirou o próprio filho do veículo e fugiu com a criança. Júlia Gabriela Bravin Trovão e Diego Sansalone foram baleados pelo ex da mulher Reprodução Prisão Após a fuga, Diego Sansalone foi preso no fim da tarde de domingo (22), em uma estrada rural entre Botucatu e Pardinho (SP). Segundo a polícia, não houve resistência e ele confessou o crime. A criança passou a noite com o pai e foi levada à Polícia Civil pelo avô paterno, pai do suspeito, também no domingo. Suspeito de matar homem, balear ex-companheira e fugir com filho de 8 anos em Botucatu é preso Polícia Civil/Divulgação Antes de localizar o suspeito, ainda no sábado, a Polícia Militar esteve na casa dele, no bairro Recanto Azul, mas não encontrou ninguém. O imóvel estava aberto e com as luzes acesas. No local, foi encontrada uma caixa de pistola calibre 9 milímetros aberta, com estojos de munição deflagrados. Diego é registrado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC). O caso foi registrado inicialmente como homicídio qualificado, tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio contra menores de 14 anos e sequestro. Com a morte de Júlia, o crime passa a ser investigado como feminicídio. Júlia Gabriela e Diego Felipe estavam juntos há 4 anos Arquivo Pessoal Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2026/02/26/vitima-de-feminicidio-registrou-10-boletins-de-ocorrencia-e-teve-dois-pedidos-de-medida-protetiva-negados-antes-de-ser-assassinada-pelo-ex.ghtml


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